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Foto: Leo Martins / Agência O Globo

Zeca Pagodinho é tema de musical no teatro e anuncia que vem filme sobre sua vida por aí

O músico Zeca Pagodinho brinda o sucesso: “Sou um qualquer, mas estou me acostumando às homenagens”


De repente, Zeca Pagodinho levanta do sofá. O celular toca, mas ele logo silencia o aparelho e grita pelo neto Noah, de 7 anos. A voz ecoa pelo segundo andar da cobertura na orla da Barra, na Zona Oeste do Rio. Pouco antes, o avô havia encontrado a criança escondida sob um móvel. “O moleque é virado. Tem dias que falo que vou fazer uma reza ou tacar um para-raios nele”, avisa o sambista ao apresentar o menino para a equipe de reportagem. Um ruído abafado de aspiradores de pó invade o ambiente. A faxina na casa é motivo para um desabafo: “Como é chato. Se estou na sala, me pedem para ir para o quarto. Aí é só chegar no quarto que falam para eu sair”. Vestido numa calça larga, ele anda pra cá e pra lá, reclamando que os amigos do filho acabaram com as garrafas de cerveja da despensa. Zeca está inquieto, mas não demora para mostrar seu talento como anfitrião.

— Vocês querem beber o quê? — indaga para o repórter, o fotógrafo e duas assessoras de imprensa.

No mesmo cômodo também estão Peter Brandão e Gustavo Gasparani, atores que darão vida ao ícone carioca no espetáculo “Zeca Pagodinho — Uma história de amor ao samba”, estreia desta semana no Teatro Net Rio, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Diante da questão, alguém faz menção a um copo d’água. A resposta é motivo para um palavrão e gestos largos.

— Se quisesse água, era só ir lá no tsunami. Não quero água, e nunca quis. Tem tanta coisa para pedir! Lá em Xerém, quando alguém diz isso, eu falo que tem um riozinho no fundo do terreno — rebate o compositor e cantor de 58 anos, referindo-se ao sítio que mantém em Xerém.

Lá pelas tantas, Zeca sugere, enfim, um início para a entrevista. Mas longe dali. Na verdade, não tão distante assim: ele quer conversar à beira-mar, sentado numa cadeira de plástico, com uma gelada na mão e a brisa no rosto. O destino é o Quiosque do Lelê, uma espécie de extensão de casa, onde — dia sim, dia sim — entorna alguns copos. Basta descer o elevador e atravessar a avenida que margeia a areia.

— Zeca Pagodinho só existe no palco. Fora dele, sou um qualquer, mas estou me acostumando às homenagens. Se fosse no início da minha carreira, não ia topar que fizessem essa peça, não — dispara ele, antes de engatar uma conversa com Cobra Coral, um senhor de 71 anos que vive nas ruas da região há mais de 30: — Quando esse daqui veio morar na praia, eu ficava olhando lá de cima (ele aponta para sua cobertura). Se fizesse frio, mandava as empregadas prepararem umas panelinhas de comida para trazer aqui. Sou amigo das meninas da noite também. De vez em quando, venho dar um dinheirinho para elas.

O lado generoso é genuíno. Cria de Irajá e Del Castilho, onde nasceu e encarou a maior parte da infância, Zeca jamais dilacerou as raízes enterradas no subúrbio. Da adolescência ao início da vida adulta, trabalhou como office boy, entregador de café, feirante, camelô, contínuo e anotador de jogo do bicho. A história é parecida com a de outros milhões. Por uma força qualquer, no entanto, tomou rumos improváveis.

No tablado, a ideia central do espetáculo teatral é se concentrar sobre a saga do tal homem comum que se manteve fiel a esse posto, apesar da fama. Diferentemente de outras produções biográficas, como “Elis — A musical” (2013) e “Tim Maia, vale tudo — O musical” (2011), a proposta é pincelar fatos curiosos da trajetória de Zeca para bordar uma fábula sobre um sujeito que se projetou ao mundo justamente por suas linhas tortas.

— Nossa busca é enaltecer a cultura suburbana através dele. O que mais chama atenção é a fidelidade ao mundo em que foi criado. Zeca é um cara que abriu possibilidades para vários, que surgiu do povo e se manteve igual. Ele conheceu champanhe e caviar, mas não deixou de derrubar cabrito e beber cerveja — exalta Gustavo Gasparani, autor e diretor do texto, além de intérprete do próprio bamba na fase pós-fama: — Mostramos o que Zeca significa para o país, até porque não tem como competir com o original. Somos pouco realistas. Tratamos o personagem como um herói suburbano.

Zeca ri da alcunha. “Sou um qualquer”, repete. A assessora pessoal reforça, porém, que ele está mesmo se habituando às celebrações em vida. O comportamento se tornou necessário. Em outubro, o artista inaugura sua primeira roda de samba mensal, no Jockey Club, na Zona Sul do Rio. Recentemente, o produtor Roberto Faustino apresentou ao cantor a sinopse de um filme inspirado no livro “Zeca Pagodinho: deixa o samba me levar”, dos jornalistas Jane Barboza e Leonardo Bruno. O projeto embrionário foi recebido com animação e aprovado pelo próprio retratado — a previsão, agora, é que a cinebiografia chegue às telonas em 2019.

Ainda assim, diante de tanto interesse alheio, a criatura real por trás do triunfo musical — com barriga protuberante e dente de ouro — teima em não entender o próprio sucesso. “Há um monte de gente que faz a mesma coisa que eu”, justifica. O modo arredio é a prova maior de que Jessé Gomes da Silva Filho, como o astro foi batizado, ainda se mantém fiel às letras impressas na carteira de identidade. Alguns amigos antigos ainda o chamam pelo nome original. Apesar das nomenclaturas, dos apelidos e dos mais de 30 anos de carreira, o jeitão despachado é o mesmo. A dificuldade é se equilibrar entre as figuras de Zeca e de Jessé sem enrolar os fios do cérebro.

— Nunca imaginei onde iria chegar. Não imagino nem aonde vou amanhã. Vivo o dia. Tudo é encaminhado pela vida. Hoje, todos querem ser artistas. Antigamente, a gente era só sambista. Ninguém desejava morar na Barra. A gente queria só cantar e ser reconhecido.

Com o tempo, os passos adquirem um novo sentido. Na infância, o músico era classificado pelos colegas como um “moleque com espírito de velho”. Faz sentido. As serestas na casa do tio, ao lado dos adultos, eram seu programa predileto. No teatro, o Zeca, enquanto criança, é encarnado pelo ator Peter Brandão, de 23 anos, conhecido por sua passagem no programa “Gente inocente” e em “Malhação” (2012).

— Estou ansioso com a estreia, bem nervoso. É bizarro pensar que estou representando o cara. Deposito o máximo de alegria em cena — detalha.

O sambista aproveita o momento do papo para continuar a descortinar o passado longínquo. Não há lembranças de campeonatos de futebol ou recordações de brincadeiras com pipa. Disso, ele quase sempre esteve fora. Por opção.

— Só queria ficar nas viagens pelo samba. Gostava de ir para as favelas ver o partido-alto. Parecia que a vida me dizia: “Fica aqui, porque é isso que você vai usar” — teoriza.

Ironicamente, a felicidade ingênua, quase infantil, explodiu na personalidade depois de crescido. Atualmente, o esporte preferido do carioca de pele morena é brincar. Na maior parte das horas, ele engole cerveja e se distrai com os netos. Sem limites. “Já lutei muito, e preciso viver o que conquistei”, reconhece.

Não à toa, para uma nação inteira, Zeca Pagodinho é símbolo de festa. Virou uma marca. As dezenas de causos pitorescos protagonizados por ele ao longo da profissão ilustram a batalha travada entre as duas existências que residem num único ser.

Para fugir de entrevistas, Zeca já pulou muros de emissora de TV. Frequentemente, é visto pelas ruas de bermudão (por vezes, sem camisa). Na última semana, publicou na internet um vídeo em que dança o hit “Despacito” com o neto Noah e a neta Catarina, de 3 anos. Em 2015, quando a amiga Beth Carvalho esteve internada, foi ao hospital com latas de cerveja escondidas num saco plástico. “A água do gelo foi pingando por todo o corredor. Mas fizemos a festa”, ele ressalta, com ar de sapeca.

A popularidade unânime resultou em convites inesperados para o mundo da política, todos negados. Ele ri da montagem com sua imagem como presidente da República, sucesso nas redes, mas muda o tom da voz diante do assunto.

— Deus me livre e guarde. Estou fora disso — limita-se a dizer.

Ainda que não tenha perdido o bom humor, Zeca anda cabisbaixo. Na TV, assiste apenas a desenhos animados ou séries como “Chaves” (uma das favoritas). Sente medo dos noticiários.

— No meu tempo, vagabundo não assaltava mulher. Que mundo é esse? — espanta-se: — Fui criado em favela, e via quando os caras assaltavam. Se tivesse uma senhora na loja, eles esperavam sair para roubar. Agora, matam à toa, como se a vida não valesse nada.

Ele já pensou, inclusive, em deixar o país para morar na casa que conserva em Miami, nos Estados Unidos (“Nem sei o estado dela após a passagem do furacão”, revela). O plano foi descartado tão logo: a possibilidade de se distanciar das pessoas próximas o deixaria deprimido.

A melancolia se reflete na relação com o papel e a caneta: com as letras, Zeca também está mais quieto. As últimas composições foram produzidas com Arlindo Cruz, antes de o colega ser internado, em março, por causa de um AVC. O estado de saúde do amigo o entristece profundamente. O sambista não tomou coragem para visitar o compadre no hospital, com medo de encarar seu maior parceiro musical na atual situação desfavorável — os dois se conheceram aos 19 anos. Ao sofrimento natural, somam-se perdas recentes no universo da batucada, com as mortes de Wilson das Neves, Chiquinho Vírgula, Almir Guineto e Luiz Melodia.

— Esse negócio de Arlindo ficar doente parece que botou todo mundo doente. Está faltando um pedaço grande no samba. A música está triste. Isso me desanima. A essa hora, Arlindo ia chegar aqui e contar um monte de histórias. A gente ia rir pra caramba. Sinto muita falta — confidencia.

Na vida que segue, os pequenos prazeres se sobrepõem a conflitos mundanos. Um sorriso brota no rosto quando lembra da proximidade com o dia de São Cosme e Damião, de quem é devoto. Todos os anos, na data de 27 de setembro, ele distribui doces para uma legião de crianças nas ruas, seguindo a tradição que mistura o catolicismo a crenças de matriz africana. A ação é feita na Barra. Em Xerém, a atividade não é mais possível devido à presença maciça de evangélicos.

— Eles jogam o doce fora, porque acham que é coisa do diabo. Só parei porque vi que realmente não funciona.

Adepto da ideologia “paz e amor” e frequentador assíduo de igrejas e terreiros, Zeca não vê problema em temas supostamente controversos, como transexualidade e casamento gay:

— Cada um tem que fazer o que gosta, mas sem desrespeitar os outros. Tudo que tem abuso é demais. Se tiver um homem e uma mulher se lambendo na minha frente, eu vou falar: “Ei, vai para casa, vai para o motel, vai para o mato” — afirma, acrescentando: — Há pessoas sem religião que são do bem. Há pessoas com religião que são más. Uma coisa não tem a ver com a outra.

As palavras são firmes. Na família, ele manda e desmanda. “Respeito todo mundo, e ensino isso”. Há poucos meses, a filha mais nova, de 13 anos, implorou uma viagem de férias a Nova York durante o Natal. O pedido foi veementemente negado.

— Só tem um Papai Noel em Xerém. Se eu for para Nova York, quem vai dar o brinquedo das crianças? Vai ter que ser outra data, não tem jeito.

A assessora pessoal aproveita a brecha no discurso para lembrar a Zeca de sua participação no “Domingão do Faustão”. Até o fechamento desta matéria, era certo que ele entoaria cinco canções ao vivo, no programa deste domingo. Ele reclama. “Ah, não dá para mandar o Fausto fazer o programa lá em casa?”. Fim de papo, a secretária insiste. Fim da conversa, o repórter anuncia. O sambista se queixa novamente.

— Vocês, hein!? Agora, vai todo mundo embora. Vou beber com quem?

Fonte: Gustavo Cunha/extra Online

18 de Setembro de 2017

19:49:59

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